200 - Os Blogs Morreram?

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200 - Os Blogs Morreram?
Contemplação - 13/10/2026 - Maria Cláudia Mesquita - Foto Dea Smith

Chamei a postagem de 200, mas é a primeira por aqui. Não sei se vou conseguir fazer toda a mudança, mas estou experimentando.

Confesso que durante o período das eleições brasileiras, entre primeiro e segundo turno, me atentei para onde estou hospedada, esse território chamado internet que não sei mais se consigo entender. Tenho um blog de código fechado e quero testar esse aqui que possui mais liberdade. Mas ainda preciso entender que liberdade é essa.

Eu andei desanimada com o blog desde que percebi que pouca gente os lê. Os blogs morreram? Me iludi que no Instagram teria mais audiência. Tentei fazer chamadas para o blog via Instagram. Algumas pessoas foram ler. Mas com o tempo comecei a imaginar se não seria melhor reduzir as postagens, preparar textos e vídeos mais dinâmicos. O fato é que fui perdendo a vontade de publicar, tanto no blog, quanto no Instagram. Parei de escrever. No blog e no Instagram.

Reparei que o Instagram já estava ficando sem graça. Um espaço com muita propaganda e pouco relacionamento e estava robotizada vendo videos de cachorronhos fofos, que por sinal, são de fato fofos, mas não me acrescentam em nada. Preocupada com a minha saúde, comecei a ler sobre esse tipo de rede destrói a nossa mente, pensando no quanto a nossa atenção foi roubada. Porém, o que ficou evidente no mês passado foi que, além disso, as big techs facilitam a entrega de conteúdos políticos associados a seus interesses comerciais. Isso não inclui conteúdos de artistas, de progressistas.

Com isso, estou me movimentando para outras redes sociais, com espaço para pensar, que sejam mais honestas em suas trocas. Fiz a oficina da Maria Rita Casagrande na Brava sobre Fediverso. Ela apontou a necessidade do desafio da imaginação radical. A ideia não é repetir os mesmos padrões do Instagram ou do X, por exemplo. A ideia é uma resensibilização da internet. Acho que todo mundo se lembra do Orkut, que era tudo mais tranquilo e afetivo. A ideia é aprender, trocar e ser gentil. A gente sabe que em outras redes a ideia é outra.

Também estou lendo Attensity!, um manifesto que apresenta como precisamos nos voltar para as atividades da presença, da atenção. As artes colaboram com esse processo, mas é preciso estar distante do poder nocivo das big techs.

Mas o que tudo isso tem a ver com a minha pesquisa em Artes da Cena? O meu mestrado foi todo compartilhado no blog https://www.corredordememorias.art e hoje estou dando continuidade na pesquisa falando sobre o blog como caderno de artista. Usei, na época, o Instagram de mesmo nome para a mesma finalidade. Acredito que tenho que me situar em espaços construídos para boas conversas, espaços que não adoecem, pelo contrário, que inspirem e possibilitem bons encontros.

Outro ponto. Me desconectei da preocupação com audiência. Quero escrever e quando for o caso, ser lida. Não vou mais me desanimar, vou resistir. Vou continuar a registrar meu tempo, registrar meu mundo.

Estou criando este blog para experimentar outra plataforma. Quero entender o que posso criar por aqui.

  • Foto acima faz parte da pesquisa Corredor de Memórias. Na próxima postagem falo sobre essa ação.

Deixo abaixo a entrevista que despertou meu interesse nos assuntos da atenção livre.

#blog #mariaritacasagrande #fediverso #attensity!